Meu corpo dói em lugares que eu nem lembrava que existiam, emagreci três quilos nos últimos 20 dias (se bem que disso é até sacrilégio reclamar...), minha mente nao pára e não me deixa dormir, o meu telefone toca duzentas vezes por dia... Mas quer saber?
Tô adorandoooooooo!!!!!!!!!!!!!
(Eu tentando sorrir, mas o cansaço não tava deixando... Olha os ossinhos aparecendo! Adorooo!!!)
Segundo Nietzsche a vida é um eterno retorno, porque precisamos, temos a obrigação de errar e voltar a errar quantas vezes for necessário desde que não cometamos o primário erro humano de levarmos uma vida dentro de um ciclo de mesmices. (Eu não leio Nietzsche, já tentei, e achei chato pra caramba. Mas não me atrevo a discordar dessa máxima...)
...
“Um sobre o outro, eles cavalgavam juntos. Iam juntos em direção às distâncias desejadas. Atordoavam-se numa traição que os libertava. Franz cavalgava Sabrina e traía sua mulher, Sabrina cavalgava Franz e traía Franz.”
É impressionante o tanto de porrada que eu levo quando ando na rua. Não sei se é o meu tamanho – 1.58 cm - que impede que as pessoas me enxerguem na linha do horizonte, ou se sou eu mesma que estou sempre com a cabeça na Lua.
Fato é que eu sempre passo ao lado do cara que está contando a história, bem na hora em que ele vai dizer aonde se deu o ocorrido:
“-Ali!” E dá-lhe um dedão na minha cara. Ou quando o sujeito resolveu levantar uma placa de madeira, com uns dois metros de comprimento, e não percebeu que eu vinha logo atrás. Nesse dia caí no chão. O cara quase me matou! E fiquei com um vergão na barriga por umas duas semanas.
Hoje a história foi um tantinho mais surreal. Andava na calcada, na volta do almoço, e uma senhora vinha na direção oposta. Aparentava ser moradora de rua, carregava uma sacola na mão, falava sozinha e olhava pra mim. Ao cruzar comigo, ela parou. Parei também, achando que fosse me pedir alguma coisa. Ela fez uma cara bem brava, deu-me uma sacolada no traseiro, e foi embora. Me xingando!
Eu fiquei ali imóvel, tentando entender o ocorrido.
(A outra "eu" teria retribuido o olhar, antes mesmo da primeira sacolada, com aquela cara invocada de "-tá me encarando por quê?"
E ela provavelmente teria me dado 18 sacoladas, ao invés de uma.)
Fato é que agora que resolvi me entender com a porção balzaca (mais "lucidez", menos "drama"), não posso mais me dar a esses luxos... Então apenas me virei para observá-la indo embora. Ela parou na primeira esquina, escolheu um cantinho da calçada, deitou-se e dormiu.
O que foi feito da minha "paixão"? Continua aqui, intacta. E me inspirando como nunca. Está expressa nos últimos posts que coloquei. Em mostrar uma música que me deu vontade de sair dançando pela casa e me achar a criatura mais sexy do mundo... Na alegria com que eu tenho realizado cada etapa do meu sonho que está prestes a sair do papel. Na graça que eu achei ao ver um monte de homem me olhando no metrô com cara de fome, ao invés de ficar assustada, pensando que poderiam fazer algum tipo de “estupro-arrastão” comigo - fosse na rua, ainda vá lá... mas no metrô, meu?! Está no fato de, nos últimos meses, eu ter usado vestido na maior parte do tempo. Porque é mais bonito e deixa o meu corpo mais feminino.
Estar apaixonada - por um homem, porque pela VIDA eu sempre estive - acordou a minha FEMINILIDADE. O meu lado doce. Meigo. Aquele que os anos e tosquices tinham me convencido que era coisa de boiola. Ou artifício de “mulher-pão-com-ovo-querendo-impressionar". Sim, claro que eu já eu já havia me apaixonado antes. Eu só não era a pessoa que sou hoje...
Estar apaixonada despertou a minha porção pão-com-ovo! Mas o lado bom de ser pão-com-ovo, vamos combinar. Que te inspira a dar umas reboladinhas quando anda, porque é gostoso, só por isso. Que não precisa dizer que tudo “de cu é rola” (embora algumas coisas, indubitavelmente, ainda sejam). Que não se incomoda em estar com cara de pastel (na frente do tiozinho eu até me incomodava, o que não significa que eu conseguisse fazer outra...) Que flerta, porque flertar é bom, e não precisa de nenhum objetivo específico. Que assumidamente quer AMOR e nada menos do que isso, que dá sorrisinhos de canto (mas eu ainda morro de rir também...)
Que não tem vergonha de suspirar ouvindo uma secretária eletrônica. Que olha pro espelho e dá risada da pastelice da pessoa que está lá do outro lado. Que acha graça em descobrir que é frágil - e que isso não é, necessariamente, um problema. Que não se preocupa em estar “por cima” ou “por baixo”, apenas em permanecer em linha reta. Que não sentiu vergonha em dar o endereço do blog pro cara que me despertou esse monte de coisa ducaralho, em um momento em que eu já havia sacado que não era recíproco. Simplesmente porque é legal compartilhar um sentimento bom. Porque cada vez mais eu tenho essa certeza de que estamos todos no mesmo barco, buscando basicamente as mesmas coisas. Todos juntos nesse imenso palco de doidos...
Taí a razão do meu estado de felicidade e deslumbramento.
A paixão me desabrochou!
Virei flor! Borboleta! Saí voando!
Mais do que me apaixonar por um homem, eu me apaixonei pelo sentimento, pela pessoa que eu sou quando estou apaixonada. Sentimento que é meu, só meu. Que eu posso até compartilhar com o próximo cara que conseguir me deixar pastel, mas com separação total de bens. Porque eu abro mão de qualquer cara, se eu sentir que não tenho retorno. Mas desse "bem", eu não abro. É meu e ninguém tasca. Esse eu levo comigo, para onde quer que eu vá.
(Foi isso que enxergamos uma na outra, Denise, naquele chopp da segunda, lá no Asterix. Beijo, grande-amiga-FODA!)
Eu tirei o texto da biju por motivos óbvios. Também porque estava chato demais, Lair Ribeiro demais, politicamente correto demais. Tudo o que eu não sou.
Sou só uma doidinha buscando um pouco de equilíbrio, redefinindo metas, buscando serenidade. Evolução, basicamente. Porque não dá pra ser "baixinha invocada" ad eternum - “brabeza” é irritante, improdutiva, cansativa e dá rugas.
A minha porção Lair Ribeiro é só a que está muito feliz ao redescobrir a possibilidade do prazer na minha vida profissional - traumatizada por alguns anos estressantes de Jornalismo e outros surreais como garçonete, tia do café, bartender e afins.
Desafios?
Tive meus desafios, mas nunca passei fome, sempre tive teto, meu corpo e minha mente funcionam perfeitamente - o corpo mais do que a mente - hihihi... Tive sim um grande entrave, entre o final da infância e toda a adolescência, que definiu a minha personalidade invocada, e me trouxe grandes "fantasmas" durante a minha vida - e hoje ainda me traz alguns, mas sou uma pessoa perfeitamente normal, e me considero muito, muito privilegiada pela vida.
Tive uma grande mãe e ainda tenho um pai lindo, amor infinito e apoio irrestrito de ambos, pude estudar, sempre tive empregos decentes (à exceção dos três anos de vida proletária em Londres), consigo pagar as minhas contas, não sou responsável pelo sustento de ninguém, tenho um bom punhado de grandes amigos, tenho sempre um ombro pra chorar, alguém pra me dizer que sou o máximo ou estou sendo uma ridícula. Sempre fui regida pela curiosidade e busquei experiências "bizarras", já conheci muita gente ducaralho, lugares idem, alguns homens incríveis, muitos “mais do mesmo”, vivi deliciosas histórias, nunca tive grandes "medos", estou sempre me puxando pra cima, sou complicada e imperfetinha, eu gosto do que vejo no espelho.
Mas verdade seja dita: eu tô mais pra Capelinha Jones do que pra Madre Tereza de Calcutá.
Estou pra ver experiência mais antropofágica do que pegar o metrô na estação Brás às seis horas da tarde.
Sendo mulher e usando um vestidinho ligeiramente decotado.
É mais ou menos como aqueles dias em que você desvia o caminho pra passar em frente a uma construção, apenas para certificar-se de que alguém no mundo ainda te acha gostosa.